A alquitarra difere do alambique em termos de design, ocupando menos espaço, uma vez que os seus corpos se encaixam em forma de pirâmide e o seu capacete tem dupla função possuindo no seu interior uma câmara de vapores e no seu topo a área de condensação. Deste modo, o espaço necessário para efectuar a destilação torna-se consideravelmente menor.
A utilização de uma criva amovível no interior do pote, permite a separação do mosto e da água, facilitando assim a passagem de vapores.
Devido ao facto de mosto e água estarem separados, o utilizador pode expelir o mosto e proceder a uma nova destilação sem que a água saia do estado de ebulição e seja necessário recomeçar o processo de destilação.
No entanto cabe ao utilizador escolher se prefere efectuar uma
destilação a vapor ou uma
destilação simples, bastando para isso retirar a criva amovível do interior do pote.
Muito embora a alquitarra seja produto da invasão Moura, é do conhecimento geral que já era utilizada pela cultura oriental.
Este aparelho é apreciado em certas regiões de Portugal e Espanha devido à excelente qualidade dos seus resultados. Muitos destiladores não substituem a sua alquitara por outro aparelho de destilação, uma vez que a alquitarra permite efectuar um processo de destilação mais lento, considerado semelhante ao processo levado a cabo com o alambique “Charentais”. A alquitarra tem no seu topo a forma semelhante à de uma bacia, incluindo no seu interior uma câmara semiesférica onde se reúnem os vapores. Em contacto com a superfície fria da bacia os vapores condensam, sendo posteriormente expulsos pela biqueira. Além da biqueira que permite a recolha do destilado, dependendo do modelo e/ou do tamanho, a bacia poderá ter dois tubos: um localizado na parte inferior da bacia, onde entra a água fria que arrefece a câmara de condensação; e outro no topo da bacia, de onde sai a água tépida.
A alquitarra é tradicionalmente construída com
uniões rebitadas, técnica tradicional que tem passado de geração a geração. Todas as uniões são soldadas em latão ou cobre, garantindo uma construção livre de chumbo.
Os tamanhos mais pequenos podem ser utilizados em casa, ao contrário dos modelos maiores que já requerem uma área adequada para efectuar a destilação assim como conhecimentos do destilador para a sua perfeita utilização. Embora estas alquitarras sejam recomendadas para destiladores experientes, isto não significa que aqueles que queiram entrar na arte de destilação se sintam apreensivos aquando da aquisição de um destes modelos.
Estas alquitarras
Al-ambiq®, podem ser utilizadas para a destilar bebidas alcoólicas (como é tradição na Península Ibérica), óleos essenciais (empregues na preparação de extractos medicinais e perfumes), água de rosas ou qualquer outra coisa a que a sua imaginação o conduza.
Neste site estão disponíveis as informações básicas acerca dos diferentes processos de
destilação, assim como as diversas precauções que devem ser tomadas aquando da utilização de qualquer modelo. Também poderá encontrar uma pequena sequência de fotografias com um texto explicativo acerca da “
Experiência Portuguesa” na destilação de aguardente, que irá certamente ajudar qualquer recém-chegado a esta arte, embora na referida experiência não seja utilizada uma alquitarra.
As peças constituintes da alquitarra foram concebidas e produzidas para se ajustarem e vedarem todos os vapores (até ao contorno côncavo do pescoço de cisne). No entanto, após alguns anos de uso é natural verificar-se uma folga entre o pote de cobre e o pescoço de cisne, havendo a necessidade de a vedar para evitar a fuga de vapores. Tal poderá conseguir-se através de uma simples e rudimentar
técnica de vedação.